Neste domingo, 21/06/2026, participei da Santa Missa celebrada às 6h 30min na Igreja da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, no Montese. O templo conserva as bonitas linhas arquitetônicas originais. Todavia, o altar-mor adquiriu uma modernidade desvestida de beleza estética e até a imagem do Cristo é uma escultura - com o perdão do termo - requenguela. É uma imagem feia. A dolorosa constatação é que essas modernidades artísticas que agridem o olhar e não convidam à reflexão, ocorreram em muitos templos católicos.
Durante séculos, a Igreja Católica foi uma das maiores patrocinadoras das artes. Arquitetos, escultores, pintores e entalhadores colocaram seu talento a serviço da fé, produzindo templos cuja beleza elevava a alma a Deus. No centro desses espaços sagrados encontrava-se o altar, coração do templo e ponto de convergência da atenção dos fiéis. Não por acaso, os altares tradicionais eram concebidos com esmero artístico, riqueza simbólica e profundo sentido teológico.
Os magníficos altares de madeira entalhada, mármore ou pedra, adornados por imagens de santos, anjos, colunas e elementos ornamentais, constituíam verdadeiras obras de arte. Sua finalidade transcendia o aspecto meramente decorativo: eram instrumentos de catequese visual e expressão da transcendência divina. A beleza, conforme ensinavam grandes pensadores cristãos, é um dos caminhos que conduzem à contemplação de Deus.
Entretanto, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, difundiu-se em muitos lugares uma tendência de modernização dos espaços litúrgicos que, não raramente, resultou no empobrecimento estético dos templos. Sob o argumento de adaptar as igrejas aos novos tempos, inúmeros altares históricos foram removidos, mutilados ou simplesmente destruídos. Em seu lugar surgiram estruturas minimalistas, esculturas abstratas ou peças de discutível valor artístico, frequentemente incapazes de transmitir o sentido de sacralidade que caracterizava os conjuntos anteriores.
Em alguns casos, a substituição de altares centenários representou verdadeira perda patrimonial. Obras produzidas por artesãos e artistas de reconhecido mérito desapareceram para dar lugar a criações que, embora possam agradar a determinados gostos contemporâneos, dificilmente alcançam a mesma riqueza simbólica, histórica e estética. Não faltam relatos de intervenções realizadas sem o devido respeito ao patrimônio cultural e religioso, provocando indignação entre fiéis, historiadores e estudiosos da arte sacra.
A crítica a tais transformações não constitui mera nostalgia. Trata-se de reconhecer que a arte sacra possui uma função específica: manifestar a beleza do mistério divino e favorecer o recolhimento espiritual. Quando o centro visual do templo perde sua majestade, a própria experiência religiosa pode ser afetada. O espaço sagrado corre o risco de assemelhar-se a um auditório ou salão comum, privado dos elementos que tradicionalmente evocavam o transcendente. É como se os altares católicos tivessem se protestantinizados.
Isso não significa rejeitar toda produção artística contemporânea. A Igreja continua aberta à arte de cada época, desde que esta seja capaz de expressar adequadamente a dignidade do culto divino. O problema surge quando o novo é adotado apenas por ser novo, em detrimento de obras consagradas pelo tempo e pela devoção popular. O modernismo, quando convertido em ideologia estética, pode tornar-se tão intolerante quanto os movimentos iconoclastas que, ao longo da história, destruíram imagens e monumentos religiosos.
A preservação dos altares históricos não é apenas um dever para com a memória da Igreja, mas também uma obrigação para com as futuras gerações. Cada altar antigo representa um testemunho da fé, da cultura e da sensibilidade artística de um povo. Sua destruição empobrece não apenas os templos, mas o patrimônio espiritual e cultural da própria civilização cristã.
Recuperar o apreço pela beleza dos altares tradicionais é, portanto, mais do que uma questão de gosto. É reafirmar que a arte, quando colocada a serviço do sagrado, pode elevar o espírito humano e recordar que a casa de Deus deve refletir, ainda que imperfeitamente, a beleza do Céu.
Vale insistir, por pertinência histórico-sociológica e teológica, que entre os inúmeros fenômenos que marcaram a vida da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II (1962-1965), poucos foram tão visíveis quanto as profundas transformações ocorridas na arquitetura dos templos. Sob o pretexto do "aggiornamento", expressão italiana que significa "atualização" e que se tornou uma das palavras de ordem do período conciliar, verificou-se, em muitos lugares, uma verdadeira ruptura com a tradição litúrgica e artística que durante séculos moldou a espiritualidade católica.
Os antigos altares-mores, majestosos e artisticamente elaborados, constituíam o coração do templo. Neles se encontrava o sacrário, onde permanecia o Santíssimo Sacramento, sinal visível da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia. Toda a disposição arquitetônica convergia para esse centro sagrado. O olhar do fiel era naturalmente conduzido ao tabernáculo, favorecendo a oração, a contemplação e a adoração. Quando a iconoclastia de alguns padres mal formados substituiu as antigas estruturas sacramentais dos altares, o que surgiu depois não atendeu às expectativas do povo católico. Constata-se que o tal "aggiornamento" contribuiu sobremodo para a fuga de católicos para outras religiões. Ou seja, o efeito foi contrário ao pretendido.
Mais grave ainda foi a transferência do sacrário para capelas laterais ou locais secundários. Embora juridicamente permitida em determinadas circunstâncias pelas normas litúrgicas, tal prática produziu, em muitos casos, uma evidente perda da centralidade eucarística na percepção dos fiéis. O lugar outrora ocupado pelo Rei dos Reis passou a ser relegado a espaços discretos, enquanto o altar voltado para a assembleia assumia o protagonismo visual.
Não poucos católicos perceberam nessas mudanças a influência de uma mentalidade relativista que, pouco a pouco, enfraqueceu a consciência da transcendência divina. Quando a presença real de Cristo deixa de ocupar o centro visível do templo, corre-se o risco de transmitir a ideia de que a comunidade reunida é mais importante que Aquele em torno de quem ela se reúne.
A arte sacra nunca foi mera ornamentação. Ela constitui uma forma de catequese silenciosa. Os grandes altares barrocos, góticos ou neoclássicos proclamavam, sem palavras, verdades teológicas fundamentais: a majestade de Deus, a realeza de Cristo, a mediação dos santos e a sacralidade do sacrifício eucarístico. Sua eliminação representou, em muitos casos, não apenas uma perda artística, mas também um empobrecimento espiritual.
Sob a ótica da tradição católica, a destruição deliberada de bens sacros que elevavam a alma a Deus pode ser vista como um grave erro pastoral. Ainda que praticada com a intenção declarada de modernizar os espaços litúrgicos, produziu frequentemente efeitos contrários à finalidade da liturgia, obscurecendo o sentido do mistério e favorecendo uma visão excessivamente horizontal da religião.
Diversos pensadores católicos têm sustentado que tal processo refletiu uma crise mais profunda: a substituição gradual de uma cultura centrada em Deus por uma mentalidade antropocêntrica. Nesse contexto, o desaparecimento do sacrário do centro dos templos tornou-se um símbolo eloquente de uma mudança de paradigma espiritual.
Para muitos fiéis, a recuperação da beleza litúrgica e da centralidade eucarística constitui uma necessidade urgente. Não se trata de mera nostalgia estética, repito, mas do reconhecimento de que a beleza sempre foi uma das vias privilegiadas para conduzir as almas a Deus. Como ensinava Bento XVI, a verdadeira arte sacra não é um luxo, mas uma expressão da fé que torna perceptível o esplendor da verdade.
A renovação autêntica da Igreja não pode nascer do abandono de suas raízes, mas do reencontro com elas. Onde o sacrário volta a ocupar lugar de honra, onde a arquitetura aponta novamente para o transcendente e onde a beleza serve à adoração, renasce também a consciência de que o centro da vida católica não é o homem, mas Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia.
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