Soneto I
Quando da vida o outono me alcançou,
Voltou-me à alma um lume enternecido:
Teu doce olhar, tão manso e comovido,
Que em minhas noites trêmulas brilhou.
“Meu Amorzinho” — assim te nomeou
Meu coração de afeto estremecido,
Pois foste abrigo, amparo e chão florido
Que a mão de Deus bondosa me ofertou.
Na singeleza do labor constante,
Na fé singela erguida em cada dia,
Formaste em mim o amor ao justo e ao santo.
E hoje ao sentir a dor de estás distante
Ainda comigo estás, luzeiro e guia
Do filho amado que inda te ama tanto!
Soneto II
Ela tinha um olhar imaculado,
A sua voz, ternura e acalanto.
Uma santa a cobrir-me com seu manto
De puro e imenso amor ornamentado.
Ela me fez sonhar mesmo acordado,
E a apreciar encanto e desencanto,
E tantas vezes enxugou meu pranto
Igual a Virgem ao do Filho Amado.
Retirando os abrolhos do caminho
Estendeu-me um tapete de carinho
A demonstrar o maternal cuidado.
Ela foi minha MÃE sem me parir,
Quando eu chorei ela me fez sorrir,
Luz que fez meu viver iluminado.
Soneto III
Cobria-me com gestos de carinho,
Amou-me desvelada, em plenitude!
Ensinou-me os caminhos da Virtude
E eu a chamava de MEU AMORZINHO.
Ela foi um luzeiro em meu caminho,
O meu sentir jamais não há quem mude
Ao relembrar a doce completude
Do amor imenso de MEU AMORZINHO.
Era uma sábia, tinha engenho e arte.
Sem letra, sem escrita, sem estudo,
Soube empunhar da vida o estandarte.
Mesmo que eu fique cego, surdo e mudo,
Eu juro, espalharei por toda parte:
-- MEU AMORZINHO para mim foi TUDO!
Soneto IV
As lágrimas que eu chorei ela chorava,
As dores que eu senti ela sentia,
O riso que sorri ela sorria,
Os sonhos que eu sonhei ela sonhava.
Ao erro cometido ela ralhava,
Na desobediência reprimia,
Porém, seu doce olhar me bendizia,
Com suas orações me abençoava.
Um rosto todo feito de bondade,
Os gestos todos feitos de carinho,
De imenso amor e generosidade...
Ela foi sempre a luz do meu caminho,
Foi minha mãe de fato e de verdade,
Eu a chamava de MEU AMORZINHO.
Soneto V
Oh, que saudade do beijo e do carinho
Que a minha mãe me dava, eu pequenino;
A doce voz soava como um hino,
E me chamava de meu amorzinho.
O seu imenso amor, eu imagino,
Iluminou no tempo o meu caminho,
E eu a chamava de MEU AMORZINHO
Numa repetição de amor supino.
Seu amor era quase devoção,
E eu inda hoje a vejo num cantinho
Rogando a Deus por mim em oração.
Deus ouviu os seus rogos direitinho!
Ela é Santa Tereza do Sertão,
Eternamente será MEU AMORZINHO!
Soneto VI
Quando mergulho em águas já passadas
Invade-me a saudade e a tristeza...
É que me lembro de minha mãe, Tereza,
Uma das mentes mais iluminadas!
A timoneira de um lar modesto e pobre
Era um tesouro de amor e de carinho,
Eu a chamava de “Meu Amorzinho”,
Um largo coração sensível e nobre!
Quão belas as cantigas que eu ouvia!
As quais para ninar-me ela cantava
Em doce e sonorosa melodia...
Era um poema de Deus cada canção,
Era uma santa cantando e eu não sabia:
--Era Santa Tereza do Sertão!







