1
Ser pai é ser abrigo em noite escura,
É ser caminho e bússola; é ser guarida.
É dar ao filho o pão, o rumo, a vida,
É ser a esperança que perdura...
É ser presença firme na amargura,
É ser luz na chegada e na partida;
É dar a mão na senda percorrida,
Para amparar na queda ou desventura.
Mas, se a morte vier, cruel e fria,
Ceifar do pai o filho tão amado,
Seu próprio coração feneceria.
Pois antes quer o pai ser sepultado
Que contemplar, na mais triste agonia,
O filho morto e ele inda vivo ao lado.
***
2
Ser pai é ser amparo e fortaleza,
É ser vigília à noite e à luz do dia,
É dar ao filho o amor e a companhia
E ao seu caminho oferecer firmeza.
É ser conselho, abrigo e segurança,
Guardando o filho na adversidade.
É ensinar-lhe o bem, fé e verdade,
E alimentar-lhe a alma de esperança.
E se a morte, com sua mão sombria,
Vier roubar-lhe o filho do seu peito,
Preferirá morrer naquele dia.
Pois não há dor que possa ter conceito
Maior, que ver jazer na campa fria
O filho amado, sem jaça e sem defeito.
***
3
Ser pai é enfrentar a aspereza,
É ser farol em noite desabrida,
É dar ao filho um rumo certo à vida,
E à sua alma o senso de grandeza.
É ser o pão, o braço e a certeza
Da confiança que o tempo convalida.
É proteger-lhe o corpo ou a alma ferida,
É transformar a dor em fortaleza.
Se a morte, em seu furor, vier um dia
Roubar-lhe o filho, fruto do seu ser,
Prefere o pai fazer-lhe companhia.
Ao filho morto não quer sobreviver,
O filho é chama ardente que alumia.
Sem essa luz é bem melhor morrer.