segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Paralelismo Político no Brasil


Barros Alves
 
            Introdução

O Brasil é uma democracia representativa onde os partidos políticos atuam livremente. De igual modo o sistema midiático se organiza de forma suficientemente estável e livre para permitir ao observador o permanente processo de interação entre os agentes políticos e os meios de comunicação, sobretudo no momento atual em que as forças político-partidárias que se digladiam em um cenário pré-eleitoral estabelecem seus mecanismos de convencimento do eleitor. Este breve artigo objetiva, destarte, responder à indagação se é possível dizer que a grande imprensa no Brasil assume sistematicamente posição política, mas, ao mesmo tempo, não pode ser considerada partidária, não pelo menos na forma de partidarismo prevista pelo conceito de paralelismo político. Fazemo-lo arrimado na teoria elaborada inicialmente por Seymour-Ure, com desdobramentos posteriores formulados por outros estudiosos do tema.

Conceito de paralelismo político

O conceito de paralelismo político, consoante o citado autor, constitui uma das principais dimensões para descrever a relação entre mídia e política nas sociedades ocidentais onde, evidentemente, o conceito de democracia difere substancialmente daquele adotado em sociedades orientais, algumas ainda subordinadas a governos tribais e, portanto, onde os meios de comunicação não dispõem das liberdades necessárias ao pleno exercício da liberdade de expressão. Esta, aliás, requisito sine qua non para o estabelecimento de uma análise de paralelismo político.
Historicamente o paralelismo político pode ser entendido como um fenômeno que surgiu a partir do século XIX com a consolidação de partidos políticos e, paralelamente, da imprensa. Daquele tempo a esta parte o processo de desenvolvimento da atividade política, em termos sociológicos, como um aspecto do desenvolvimento natural da sociedade tem caminhado pari passu com o desenvolvimento das tecnologias midiáticas, ensejando cada vez mais esse paralelismo objeto da teoria de Seymour-Ure.
Com efeito, após criticar duramente, a lacuna que identifica na área da mídia e comunicação em relação aos estudos de ciência política nas democracias modernas, Downing, reconhece com dois pensadores da área (Dewey e Lippmann) que “a mídia em geral oferece as oportunidades necessárias de informação e comunicação para que a deliberação efetiva aconteça.”        

Paralelismo no Brasil

            No Brasil os grandes veículos de comunicação assomam uma grande importância como elo entre o governo e a sociedade e sua atuação demonstra de forma inequívoca as preferências político-ideológicas dos grupos econômicos que os detêm. Este indicativo pode passar despercebido para as massas que seguem seu curso à reboque das deliberações de governo, quer sejam executivas ou parlamentares. Todavia, o jornalista Sérgio Murilo de Andrade assevera que a interação entre forças políticas com a sociedade em geral só se viabilizam “através dos meios de comunicação, especialmente os meios de comunicação de massa”. Por outro lado, ele lembra que é imprescindível

“a capacitação da sociedade brasileira para exercer essa função social tão fundamental que é a de conhecer os meios de comunicação, ver como funcionam, como se articulam para captar, para processar e para difundir as informações. Ou seja, é função do cidadão brasileiro, sim, se capacitar para conhecer a mídia”.

            O autor chama a atenção para o fato de que para cumprir este papel essencial à democracia, quais sejam os de fiscalizador das ações de governo e aqueles de informação à população, os órgãos de mídia adotam critérios diferentes (op. cit.  p. 33). O julgamento da correção dessa ação da mídia corre ao arbítrio dos lados em disputa permanente numa sociedade democrática, que é caracterizada pela pluralidade de opiniões. E um julgamento desse porte só pode ser parcial, uma vez que, por parte das pessoas numa sociedade politicamente livre, consoante observa Lippmann ao chamar a atenção para a sobrecarga de informações que chega aos cidadãos por parte dos homens que fazem os negócios públicos, constatando que

 “A quantidade de atenção disponível é muito pequena para qualquer esquema no qual se suponha que, depois de se dedicarem a ler publicações de todas as agências de inteligência, todos os cidadãos da nação se tornariam alertas, informados e desejosos de uma enorme quantidade de questões reais que nunca se encaixaram muito bem em princípio amplo algum.”

            De igual modo, numa sociedade cuja capacidade econômica e nível de escolaridade está abaixo do desejável, as informações que a ela chegam, sem desvincular o meio emissor do alinhamento político com este ou aquele grupo partidário, não conseguem influenciar de forma inalienável as vontades e desejos dos cidadãos, a não ser em camadas mais intelectualizadas da população. E ainda assim, esta mesma inteligentsia que forma opinião no seio da sociedade, mesmo sem vinculação direta com interesses dos veículos de comunicação, está submetida a mais das vezes a determinantes de natureza político-ideológica.
            Dois exemplos podem ser dados para arrimar a observação acima: 1) Em um determinado momento da história política brasileira, o Partido dos Trabalhadores alcançou os anseios da sociedade em razão do apoio das massas, gerado, sobretudo, pelos meios de comunicação que apontavam seu líder, um metalúrgico saído das camadas mais pobres da população, como um homem capaz de liderar as mudanças reivindicadas pelo povo. Era nítida a postura política dos principais conglomerados do País, cada um fazendo o jogo que lhe ditava o desejo. Pouco tempo depois de eleito viu-se – e esses mesmos meios de comunicação divulgaram à saciedade suas versões dos fatos – que a sociedade brasileira tinha comprado gato por lebre, segundo as denúncias publicadas pelas grandes redes de mídia. Era o caso escabroso do Mensalão. Paradoxalmente à grita por ética na política não consumada com a ascensão do PT ao poder, a sociedade reconduziu o partido ao comando da nação.
2) O segundo exemplo diz respeito à parcela intelectualizada da população, especialmente os intelectuais da Academia que ajudaram o PT a chegar ao poder, fazendo coro às reivindicações de rua por ética na política e avanços no atendimento às cobranças por mais cidadania, consoante as determinações da Constituição programática de 1988. Esses intelectuais ficaram silentes diante dos escândalos protagonizados pela cúpula petista no governo. Tal atitude forçou um seminário ocorrido na Universidade de São Paulo, subordinado exatamente ao tema, “O Silêncio dos Intelectuais.”
            Daquele tempo (2005) a esta parte apesar das acusações à mídia de ambos os lados, o Partido dos Trabalhadores continua no poder, não obstante as forças que o apoiam apontarem para os principais grupos comunicacionais do País (Rede Globo, jornal O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e, sobretudo, a Revista VEJA) como organismos partidarizados e antipetistas da mídia nacional.
            Por oportuno, vale salientar que se a esquerda brasileira no poder carimba a grande mídia como defensora de postulados ideológicos de direita, o discurso da direita, diametralmente oposto, aponta para a mídia com a mesma crítica. No Brasil, ao contrário de países como os EUA, ambas as baterias estão assestadas para a mídia numa sinalização evidente de que o autoritarismo e a antipatia política, de fato, são contra a liberdade de expressão. No caso norte-americano Downing (p. 78), recorre à história recente do País para observar que não cabe à esquerda fazer críticas à mídia, como, aliás, ocorre no Brasil lulo-petista:

“Durante as décadas de 1980 e 1990 nos Estados Unidos, a extrema direita organizada fez a grande jogada de denunciar a mídia estabelecida como púlpito da esquerda, de modo que seria um imenso erro se a esquerda simplesmente contribuísse para a cultura do ataque à mídia sem, ao mesmo tempo, fazer muito barulho para demonstrar ferrenha oposição ao projeto da direita radical de banir toda expressão de dissidência de seu lado esquerdo.”


            Conclusão

            No Brasil, como em grande parte dos países que compõem o quadro das democracias ocidentais, os veículos de mídia adotam posições claramente alinhadas com os lineamentos político-partidários que mais lhe são caros. Os motivos desta “fraternidade” podem ser os mais diversos, a merecer investigação profunda. Todavia, os mecanismos midiáticos que atuam na sociedade, os quais são objeto da teoria do paralelismo político, não podem olvidar o fato de que “Com as inovações de ontem e de hoje, mudarão os meios, mas permanecerá na mesma base pessoal a tarefa de informar-se e informar: para adquirir opinião e para influenciar a dos  demais. A mídia faz muito. Mas, nada substitui duas coisas: primeiro, o ato de ler continua a ser tarefa pessoal, indelegável; segundo, é igualmente pessoal o trabalho de convencer, apanágio de políticos e lobistas.”
            Daí a explicação da permanência no poder no Brasil de um contingente de políticos acusados dos mais escabrosos escândalos, os quais insistentemente denunciados pela mídia em todas as suas nuances, não conseguem sensibilizar o eleitorado para pô-los fora do alcance das urnas. Este papel, aliás, tem sido cumprido pelo poder Judiciário, ainda que de forma tênue e sob a acusação de está politizando o judiciário ou, em sentido contrário, judicializando a política. Por outro lado, isto significa dizer, portanto, que os organismos de mídia (TV, rádio, jornal, internet com seus sites blogs e demais redes sociais) cumprem seu papel de fiscalizar e denunciar de acordo com seu pensamento político-ideológico, ou seja, tomam partido ainda que não o explicitem. Mas, definitivamente não assumem o lugar de partidos políticos, não obstante a crise de representação que se abate sobre o sistema de democracia formal vigente entre nós ocidentais.
 
Bibliografia consultada

1.      Albuquerque, Afonso de. Paralelismo Político em Questão. In Revista COMPOLÍTICA - v. 2, n. 1, ed. jan-jun, 2012.
2.      Andrade, Sérgio Murilo in Cidadania, Mídia e Política - Relacionamento Sociedade Civil, Meios de Comunicação e Parlamento. Seminário Nacional Realizado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, em 2006. Centro de Documentação e Informação - Edições Câmara, 2008.
3.      Downing, John D. H. Mídia Radical – Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais. Senac Ed., São Paulo, 2004
4.      Farhat, Saïd. O Fator Opinião Pública, como se lida com ele. T. A. Queiroz Editor, São Paulo, 1992.
5.      Lippmann, Walter. Opinião Pública. Editora Vozes, Petrópolis-RJ, 2008.





[1] Apud Albuquerque, Afonso de. Paralelismo Político em Questão. In Revista COMPOLÍTICA - v. 2, n. 1, ed. jan-jun, 2012.

[2] Downing, John D. H. Mídia Radical – Rebeldia nas Comunicações e Movimentos Sociais. Senac Ed., São Paulo, 2004, págs. 77-78
[3] Cidadania, Mídia e Política - Relacionamento Sociedade Civil, Meios de Comunicação e Parlamento. Seminário Nacional Realizado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, em 2006. Centro de Documentação e Informação - Edições Câmara, 2008, pág. 32.
[4] Lippmann, Walter. Opinião Pública. Editora Vozes, Petrópolis-RJ, 2008, pág. 334.
[5] Confira: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/ciclo_de_conferencias_o_silencio_dos_intelectuais
[6] Farhat, Saïd. O Fator Opinião Pública, como se lida com ele. T. A. Queiroz Editor, São Paulo, 1992, pág. 176/177.

A AÇÃO CRIMINOSA DO MST

Hoje a presidente Dilma Roussef recebeu em Palácio algumas lideranças dos movimentos sociais, entre as quais o senhor João Paulo Stedile, um marginal da Política, líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), que deveria estar na Papuda junto com seus companheiros de caminhada, José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Este moço, arrimado na doutrina revolucionária marxista-leninista, estimula e incentiva a invasão de propriedades privadas, cometendo um crime contra cada um dos proprietários cujas terras invade; e contra toda a sociedade. O governo, que lhe dá apoio e guarida, é seu avalista irresponsável e tão criminoso quanto ele. A título de defender valores vitais da sociedade, o MST agride violentamente um dos direitos mais sagrados da pessoa humana, o direito à propriedade, sem a qual não produzirá e não viverá.

No caso das ações criminosas do MST vale lembrar o ensinamento da filósofa russo-americana Ayn Rand:  "Não pode haver compromisso entre o dono de uma propriedade e um ladrão; um 'compromisso' nesse caso é o reconhecimento do'direito' deste sobre a propriedade daquele. Que valor ou concessão o ladrão ofereceu em troca? Quando o princípio da concessão unilateral é aceito como base de um relacionamento, é apenas questão de tempo antes de o ladrão se apoderar de tudo". No caso, não se deve ter a mínima dúvida de que o MST é o ladrão, cujas ações são apoiadas desavergonhadamente pelo governo, exatamente aquele que deveria preservar um direito inalienável de uma sociedade livre e democrática.

Todavia, não admira que o governo lulo-comuno-petista quede silente diante de gente como João Paulo Stedile e seus sequazes que dirigem o movimento revolucionário MST. Esse governo quer e preconiza a abolição da propriedade privada, embora, por covardia e oportunismo,  não o explicite claramente diante da sociedade. Mais uma vez Ayn Rand tem sobrada razão quando ressalta que "Há dois violadores potenciais dos direitotre os humanos: os criminosos e o governo. A  grande realização dos Estados Unidos foi traçar a distinção entre os dois - proibindo ao segundo a versão legalizada das atividades dos primeiros."

No Brasil do governo lulo-comuno-petista as coisas ocorrem de modo contrário. O governo estimula ação nefasta dos criminosos liberticidas travestidos de defensores da sociedade

AS MENTIRAS QUE O PT CONTA


O PT quer que olhemos para o passado com lentes distorcidas para tentar nos impedir de ver com nitidez o que acontece no presente. Engana o cidadão com um monte de mentiras

A propaganda da candidata do PT no rádio e na televisão vem espalhando mentiras atrás de mentiras. É a clara demonstração de desespero de um governo que fracassou. Os petistas querem que olhemos para o passado com lentes distorcidas para tentar nos impedir de ver com nitidez o que acontece no presente.
A estratégia petista até tem sua razão de ser: depois de quatro anos de governo, a candidata à reeleição não tem realizações a mostrar. Pelo contrário. O país está hoje pior do que estava quando Dilma Rousseff assumiu a presidência da República. Em praticamente tudo, andamos para trás.
Como resposta, o PT apela a mistificações que conflitam com a história do país e afrontam o esforço de milhões de brasileiros, ao longo das últimas décadas, na construção de um Brasil melhor. Na mística petista, a história brasileira começou em 1º de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do país. Os brasileiros sabem que não é assim.
Um dos alvos prediletos do PT é a situação da economia brasileira antes do governo Lula. Para eles, foram tempos de terra arrasada. A história, porém, registra, e o povo sabe, que foram anos de semeadura: o Brasil reencontrou ali, com Fernando Henrique, o caminho do desenvolvimento com justiça social. Lula e Dilma tiveram a sorte de vir depois; colheram o que o PSDB plantou.
O partido dos mensaleiros tenta reescrever a história. Quem está quebrando o Brasil é o governo Dilma. E isso está acontecendo hoje, dia após dia. É o governo atual quem ressuscitou a inflação - e ainda acha que os preços estão sob controle ou, quando não acha isso, sugere que o cidadão troque carne por ovo...
É o governo atual quem colocou o país em recessão. Há dois trimestres o PIB encolhe, algo que não acontecia desde 2009. Isso significa que o país está produzindo menos, gerando menos empregos aqui - só neste ano, até agora, são 220 mil empregos a menos em relação ao mesmo período do ano passado - e colocando em risco as conquistas sociais.
O Brasil não vai crescer quase nada neste ano, no pior resultado para um presidente desde o governo Fernando Collor, aliado do PT. O governo culpa a crise externa, a Copa do Mundo, a seca. Mas o problema está aqui dentro mesmo: não importa o parâmetro, com Dilma o país está ficando cada vez mais para trás.
É impossível que a candidata à reeleição não saiba disso. A estratégia de marketing do PT é clara: tentar ludibriar o cidadão, enganá-lo com um monte de mentiras. Os brasileiros sabem muito bem qual a situação do país. Por isso, não se deixam iludir e estão convictos de que a hora é de mudar o governo. (Fonte: http://itv.org.br/publicacoes/carta-de-formulacao/?utm_source=ITV&utm_campaign=b85c3bc8b1-TESTE_1_2014_05_31&utm_medium=email&utm_term=0_e2c5e8c11a-b85c3bc8b1-184907601)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FOLCLORE E FOLKCOMUNICAÇÃO: SABEDORIA DO POVO, TRADIÇÃO E MODERNIDADE



FOLCLORE E FOLKCOMUNICAÇÃO: SABEDORIA
 DO POVO,  TRADIÇÃO E  MODERNIDADE

            Barros Alves

Algumas pessoas, de maneira ingênua ou movidas por espírito depreciativo, ao serem confrontadas com alguma atitude ou fato pouco inverossímil, inconsequente ou hilário, às vezes comentam afirmando: “Isto é folclore”. Nada mais equivocado! Manifestações deste tipo simplesmente identificam o grau de desconhecimento da pessoa em relação ao verdadeiro conceito de folclore bem como a abrangência cultural que o termo comporta.
            Em 1846, sob o pseudônimo Ambrose Merton, o arqueólogo William John Thomas escreveu um artigo para a Revista The Athenaeum, de Londres (Inglaterrra), criou o neologismo com o sentido de saber tradicional de um povo. O termo folclore, portanto, provém da língua inglesa: folk que significa gente, povo; e lore que pode ser traduzido por conhecimento. O que se entende por folclore, por tanto, constitui o conjunto de tradições expresso por intermédio dos usos populares que são transmitidos de geração em geração ao longo da existência de uma sociedade. Todos os povos do planeta são detentores de uma gama de tradições, as quais se manifestam através das crenças e superstições. Estas, por sua vez, são repassadas aos pósteros numa sucessão histórica ao longo dos tempos através da literatura oral ou escrita, tais como lendas, contos, provérbios, canções, adivinhas, dialetos, mitologia; ou usos e costumes outros como as danças, o artesanato, os jogos, brinquedos infantis, as manifestações da religiosidade, as festas e folguedos; enfim, um sem número de atividades culturais, que surgiram de forma genuína e se desenvolveram no seio do povo.
            Luís da Câmara Cascudo, estudioso maior das manifestações populares no Brasil, leciona didaticamente: “Folclore é a cultura do popular tornada normativa pela tradição. Compreende técnicas e processos utilitários que se valorizam numa ampliação emocional, além do ângulo do funcionamento racional (...) Qualquer objeto que projete interesse humano, além de sua finalidade imediata, material e lógica, é folclórico. Desde que o laboratório químico, o transatlântico, o avião atômico, o parque industrial determinem projeção cultural no plano popular, acima do seu programa específico de produção e destinos normais, estão incluídos no Folclore.” Com efeito, o folclore enquanto disciplina é o que estuda as soluções populares da vida em sociedade. Ou seja, as lúdicas visões que o povo dá aos fatos e coisas, por assim dizer, folclorizando-as. Aí reside a beleza imaginativa de se falar da história de uma sociedade sem jungir-se a procedimentos epistemológicos ditados pelo saber acadêmico. Este, apenas recolhe o feito para ser sistematizado de acordo com as reelaborações nascidas e desenvolvidas pelo povo.
            Modernamente o folclore tem sido objeto de estudos e de preocupação por parte das entidades institucionais que cuidam do estímulo às manifestações culturais do povo, nacional e internacionalmente. A Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization), órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura, tem divulgado vários documentos para orientar os países-membros no sentido de guardar e preservar não apenas o patrimônio físico das sociedades, mas também o patrimônio imaterial, sobretudo aquele compreendido pelo folclore das nações.
            Neste sentido, a Unesco e organismos nacionais e locais como as Comissões de Folclore, pautam-se teoricamente por ideias e estudos publicados por pesquisadores  e cientistas sociais que se debruçam sobre o tema do folclorismo. Entre estes ressalta-se o antropólogo austríaco Charles-Arnold Kurr van Gennep, o qual definiu em pertinente trabalho, a abrangência que deve ter a compreensão do que é o folclore: “o folclore não é, como se pensa, uma simples coleção de fatos disparatados e mais ou menos curiosos e divertidos; é uma ciência sintética que se ocupa especialmente dos camponeses e da vida rural e daquilo que ainda subsiste de tradicional nos meios industriais e urbanos. O folclore liga-se, assim, à economia política, à história das instituições, à do direito, à da arte, à tecnologia, etc, sem entretanto confundir-se com estas disciplinas que estudam os fatos em si mesmos de preferência à sua reação sobre os meios nos quais evoluem”.
            Por outro lado, não há negar o grande impacto que tem causado os novos meios de comunicação de massa na relação entre o agrário e o urbano, entre as manifestações das populações rurais, mais gregárias e, portanto, mais mantenedoras de tradições; e as citadinas, cuja mobilidade cotidiana impostas pelas facilidades tecnológicas, reelaboram com maior rapidez os usos e costumes herdados de outros tempos e lugares. Esta situação requer assim novas metodologias  específicas para se empreender pesquisa e estudo a respeito dos impactos do novo instrumental de comunicação sobre as culturas, quer sejam populares quer sejam eruditas, bem como o imbricamentos delas, o que enseja a reformulação de conceitos e de análises sociológicas.
            Neste mister averiguador, um brasileiro se notabilizou no estudo desse amálgama de informações entre os estágios culturais do popular e do erudito sob o olhar das pesquisas de Comunicação e Folclore por ele desenvolvidas. Luiz Beltrão cunhou o termo folkcomunicação  em sua tese de doutoramento publicada em 1967, na tentativa, aliás bem sucedida, de definir uma disciplina científica que tem como objetivo o estudo da comunicação popular e do folclore na difusão dos meios de comunicação de massa.
            Seguindo este viés perquiritório, muitos têm sido os estudiosos das comunicações sociais que se detêm nas pesquisas em folkcomunicação. Roberto Benjamim, ex-presidente da Comissão Nacional de Folclore, é um deles. Sobre o assunto ele expressa sua visão e suas preocupações acadêmicas com proficiência: “Outro processo a merecer a atenção é o da espetaculização das manifestações folclóricas pela pressão dos meios de comunicação de massa e do turismo. Algumas das manifestações tradicionais guardam a natureza de espetáculos, que têm sido levados à exacerbação, convertendo-se em produto da cultura de massa. O exemplo is evidente é o do boi-bumbá de Parintins. Preocupante, porém, é o caso de manifestações de natureza ritual, reservadas aos membros de comunidades religiosas, que por seu exotismo estão sendo cooptadas para converter-se em eventos de massa. É o caso das panelas-de-Iemanjá, convertidas em festivais para turistas. Diante desse quadro, torna-se necessária uma nova postura liberada dos preconceitos etnocêntricos, a reciclagem das ténicas de pesquisa interdisciplinar com a incorporação das contribuições renovadas das ciências humanas e das ciências da linguagem, o uso de novas tecnologias e equipamentos disponíveis.”
            O mundo maravilhoso do folclore constitui, destarte, um universo de sabedoria em que convivem as mais caras tradições de um povo em perfeita convivências com o novo, ambos encantados nos refazimentos dos costumes sempre refundidos na pedra-mor de uma cultura que perpassa as épocas e penetra na linha cronológica a um tempo arrimada na tradição e na modernidade. Isto é folclore.

O FOLCLORE BRASILEIRO

 Rouxinol do Rinaré, poeta popular laureado, nome inscrito entre os que pontificam no cantar o mundo em verso cordeliano,  já pelo talento e inspiração que são dons com que foi agraciado pela Divindade; já pela capacidade técnica adquirida no cotidiano do fazer poético, dá-nos um exemplo de conhecimento sobre o folclore brasileiro. Em homenagem aos saberes do povo, comemorados aos 22 de agosto, Dia do Folclore, o poeta escreveu belos versos subordinados ao título O FOLCLORE BRASILEIRO, os quais transcrevemos para o prazer dos leitores. Ei-los:

Em simples definição
Folclore é “saber do povo”
Não é um costume novo
É antiga tradição
Reza a constituição
Em prol do povo festeiro
Que, pelo Brasil inteiro,
Aos vinte e dois de agosto
Se comemore com gosto
O folclore brasileiro.

Artes, cantigas, folguedos,
Usos, costumes e lendas
Das aldeias e fazendas
Histórias que causam medos
Artesanatos, brinquedos,
Cirandinha no terreiro,
Repentista violeiro
Cantando mote e canção
Tudo é manifestação
Do folclore brasileiro.

Folclore é superstição
É a fé na rezadeira
Canto da “Mulher Rendeira”
Dos cabras de Lampião
Na pega do barbatão
Por dentro do tabuleiro,
Triste aboio do vaqueiro,
A vaquejada, o reisado,
Assim é manifestado
O folclore brasileiro.
 
Caipora, assombração,
Lobisomem, alma penada,
A tradição conservada
Nas noites de São João,
Crença em adivinhação
Do santo casamenteiro,
Costume do cambiteiro
De dançar “Maneiro-Pau”,
Também tem o berimbau
No folclore brasileiro.

No São João do Ceará
Faz-se uma grande fogueira
No calor da brincadeira
Bebe-se pinga e aluá,
Come-se o bom mucunzá
E o assado de carneiro.
Assar milho no terreiro,
Beber licor, capilé,
Por tradição tudo é
O folclore brasileiro.

Os pastoris, o reisado
São do ciclo natalino
Festejam Jesus Menino
Que precisa ser lembrado
É costume conservado
Em Aracati e Juazeiro
De modo bem prazenteiro
No Crato e no Aquiraz
Festejam na santa paz
O folclore brasileiro.

Vindo lá de Portugal
O folguedo Marujada
É tradição festejada
Mais no nosso litoral
Logo depois do natal
(De dois a seis de janeiro)
Festas de Reis, no terreiro
Cantam, pedem doações,
São noites de louvações
Do folclore brasileiro.

Existe o Boi de Mamão
No Estado do Paraná
Na Amazônia o Boi-Bumbá
É folclórica tradição
No Ceará, no sertão,
Como no Nordeste inteiro,
De novembro até janeiro,
Brinca-se Bumba-Meu-Boi
Isto é, e sempre foi,
O folclore brasileiro.

Um folguedo interessante
(Precisamos conservá-lo)
A “Dança de São Gonçalo”
Que lembra um santo importante
São Gonçalo do Amarante
Da cidade é padroeiro
Protetor do violeiro
Porque viola tocou
Assim seu nome ficou
No folclore brasileiro.

Cá na minha região
O “Coco” é um canto-dança
Faz-se na roda a festança
Com ginga e animação
Usando na percussão
Ganzá, cuíca e pandeiro
O tal solista, ou coqueiro,
(Um bom improvisador)
Nos mostra que tem valor
O folclore brasileiro.

Ainda há nos sertões
As cruéis brigas de galos
As corridas de cavalos
Que atraem multidões
Disputas, competições,
Pra ver quem chega primeiro
Se lambuzam por dinheiro
No “Pau-de-Sebo”, um magote,
Há também o “Quebra-Pote”
No folclore brasileiro.

Temos por manufatura
Criativo artesanato
É com certeza, de fato,
Folclórica sua feitura
Beleza rústica, arte pura
Da rendeira e do santeiro
Nascem nas mãos do oleiro
Objetos modelados
Que são muito utilizados
No folclore brasileiro.

Oral, escrita e cantada
A nossa literatura
Nosso cordel é cultura
Do poeta de bancada
Na peleja improvisada
Do menestrel violeiro
O popular romanceiro
O poeta cordelista
Das letras é um artista
Do folclore brasileiro.

Pesquisador sem igual
Da nossa tradição-mor
Eleito o mestre maior
Do folclore nacional
Foi de importância vital
Na história, João Ribeiro
Mas o “papa” verdadeiro
Luis da Câmara Cascudo
Esse provou saber tudo
Do folclore brasileiro!

Mais um gigante se nota
Na cultura popular
Ninguém pôde superar
O folclorista Leota
Grande Leonardo Mota
Defensor do violeiro
Um incansável guerreiro
“Embaixador do Sertão”
Um herói da tradição
Do folclore brasileiro.

Quanta riqueza, leitores,
Nos folguedos populares!
São tradições seculares
Afirmam pesquisadores.
Para os nossos professores
Faço um apelo altaneiro:
Não deixem o estrangeiro
Nosso jovem alienar
Vamos juntos preservar
O folclore brasileiro!!!












sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A meia verdade de Dona Dilma

Dona Dilma na entrevista ao Jornal Nacional (18 de agosto):
"Outra coisa: fomos nós que criamos a Controladoria Geral da União"

Dona Dilma diz uma meia verdade e uma meia verdade é uma MENTIRA COMPLETA. Fácil comprovar o que digo. É só olhar o site da Controladoria Geral da União-CGU. Senão vejamos:

"Em 2003, a lei de criação da CGU incorporou, à estrutura do novo órgão, as funções da então Corregedoria-Geral da União – INSTITUÍDA em 2001 PELA MEDIDA PROVISÓRIA n° 2.143-31 – que tinha o propósito de combater, no âmbito do Poder Executivo Federal, a fraude e a corrupção e promover a defesa do patrimônio público. Antes da Lei 10.683, as atividades de controle interno e de ouvidoria já eram desempenhadas pela Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) e pela Ouvidoria-Geral da União (OGU), respectivamente".

Enfim, Dona Dilma mente, porque a VERDADE é que a Lei 10.683 só INCORPOROU as funções definidas em legislação aprovada ao tempo de FHC.

E o lulo-comuno-petismo em sua incompetência em inovar foi copiando muita coisa mais feita por FHC e se apropriando dos - digamos - direitos autorais. Até nisto são fraudulentos.

Lula e a crítica à imprensa III

Lula critica a Imprensa no programa eleitoral.
Definitivamente Lula não gosta de ler. Ele mesmo tem reafirmado esta sua "qualidade". Se Lula lesse teria mais respeito pela liberdade de Imprensa como tinha o mentor de sues assessores Karl Marx. Olha o que o rapaz escreveu no livro que colige alguns dos textos sobre o tema:

"Uma Imprensa censurada é ruim mesmo se produzir bons produtos, pois estes produtos só são bons na medida em que eles exibem uma imprensa livre dentro de uma censurada, e na medida em que não está em seu caráter serem produtos de uma imprensam censurada. (...) Um homem castrado sempre será um mau macho, mesmo se tiver uma boa voz" (LIBERDADE DE IMPRENSA, de Karl Marx. Editora L&PM Pocket, vol. 176, pág. 51)

Lula e a crítica à imprensa II

O apedeuta Lula sempre que abre a boca diz um rosário de besteiras sobre a Imprensa brasileira. Certamente porque é A Imprensa quem primeira descobre as falcatruas do seu PT. Lula deveria ler o guru de seus assessores comunistas. Kar Marx escreveu:
"A essência da Imprensa livre é a essência característica, razoável e ética da liberdade. O caráter de uma imprensa censurada é a falta de caráter da não-liberdade; É UM MONSTRO CIVILIZADO, UM ABORTO PERFUMADO".
(LIBERDADE DE IMPRENSA, de Karl Marx. Editora L&PM Pocket, vol. 176, pág. 51)t

Mas, dá para gente compreender algumas coisas sem muito esforço. O PT é um aborto do sistema partidário brasileiro. E, enquanto partido, defende todo tipo de aborto. Por que, então, não haveria de defender o "aborto perfumado" da censura à imprensa? O que, aliás, está fazendo travestido com o eufemismo de "Marco Regulatório das Comunicações"
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