domingo, 9 de agosto de 2026

"Amor de pai" - Por Barros Alves

                                                   


1

Ser pai é ser abrigo em noite escura,

É ser caminho e  bússola; é ser guarida.

É dar ao filho o pão, o rumo, a vida,

É ser a esperança que perdura...


É ser presença firme na amargura,

É ser luz na chegada e na partida;

É dar a mão na senda percorrida,

Para amparar na queda ou desventura.


Mas, se a morte vier, cruel e fria,

Ceifar do pai o filho tão amado,

Seu próprio coração feneceria.


Pois antes quer o pai ser sepultado

Que contemplar, na mais  triste agonia,

O filho morto e ele inda vivo ao lado.


***


2

Ser pai é ser amparo e fortaleza,

É ser vigília à noite e à  luz do dia,

É dar ao filho o amor e a companhia

E ao seu caminho oferecer firmeza.


É ser conselho, abrigo e segurança,

Guardando o filho na adversidade.

É ensinar-lhe o bem,  fé e verdade,

E alimentar-lhe a alma de esperança.


E se a morte, com sua mão sombria,

Vier roubar-lhe o filho do seu peito,

Preferirá morrer naquele dia.


Pois não há dor que possa ter conceito

Maior, que ver jazer na campa fria

O filho amado, sem jaça e sem defeito.


***

3

Ser pai é enfrentar a aspereza,

É ser farol em noite desabrida,

É dar ao filho um rumo certo à vida,

E à sua alma o senso de grandeza.


É ser o pão, o braço e a certeza

Da confiança que o tempo convalida.

É proteger-lhe o corpo ou a alma ferida,

É transformar a dor em fortaleza.


Se a morte, em seu furor, vier um dia

Roubar-lhe o filho, fruto do seu ser,

Prefere o pai fazer-lhe  companhia.


Ao filho morto não quer sobreviver,

O filho é chama ardente que alumia.

Sem essa luz é bem melhor morrer.

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