domingo, 30 de agosto de 2026

"Sonetos em louvor de São João Paulo II" - Por Barros Alves

 


I — O Peregrino da Esperança


De Wadowice, humilde peregrino,

Ergueu-se ao mundo em fé e caridade;

E, entre as dores cruéis da mocidade,

Guardou no peito o ardor do Amor divino.


A guerra não lhe tolheu o destino,

Nem lhe roubou a força e a liberdade;

Fez da oração seu pão, sua verdade,

E da Cruz, um melodioso hino.


Sobre os seus ombros, Roma e a Terra  inteira

Viram surgir a força de um Pastor,

Que abriu ao mundo as portas da esperança.


E, quando a dor lhe veio derradeira,

Altivo anunciou com fé e amor:

“Não tenhais medo! Somente confiança".


II — Totus Tuus


À Virgem consagrou a própria vida,

Com filial ternura e devoção;

Maria foi-lhe estrela e proteção,

Na trilha penitente e dolorida.


No coração, flameja a luz bendita 

Do Totus Tuus, fiel consagração.

Fazia ele da existência uma oração

E da esperança uma chama infinita.


Por terras e por mares foi levando

A Boa-Nova, em peregrinação,

Aos jovens infundindo um novo ardor.


E o mundo inteiro viu seu passo santo,

Quando ensinava com convicção,

Que a vida encontra em Deus o pleno Amor.


III - Contra o totalitarismo


De longe, em Roma, a voz de um polonês

Ergueu-se contra a noite da opressão,

Levando Cristo a todo coração,

Desafiou Poder e Insensatez.


Não foi com armas que enfrentou de vez

Os que oprimiam seu povo e a nação.

Foi com a força viva da oração,

Com a verdade, a fé e a altivez.


Da pátria maltratada, a voz clamava

Que o homem não nasceu para a prisão,

Nem pode o Estado escravizar-lhe a alma.


Veio a palavra do Papa imprimir calma

Enquanto o medo do povo se afastava

E a liberdade vencia a opressão.


IV— Nos braços de Cristo


A enfermidade o corpo lhe dobrava,

Mas não dobrava a fé daquela alma,

Que sob a dor era serena e calma,

Porque na Cruz do Cristo se amparava.


Já quase sem palavras, proclamava

Que a vida é dom de Deus e não desarma

Aquele que faz da Cruz a arma...

E em Cristo a eternidade contemplava!


Assim partiu o grande mensageiro,

Deixando à Igreja o exemplo verdadeiro

De quem fez da existência um dom de amor.


A dor não envolveu seu corpo inteiro, 

Cobriu-lhe a luz do Supremo Luzeiro

E o conduziu  ao Cristo  Redentor.



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