
Para o amigo e confrade hagiólogo José Luís Lira
"No Tepeyac"
Barros Alves
No Tepeyac, a luz do céu descia,
E o índio Diego a tanger a lhama
Viu descendo do céu a Eterna Dama,
Mãe que consola a dor, traz calmaria.
Seu manto, aurora azul que reluzia,
A ternura no olhar o amor inflama,
E o índio, humilde, em êxtase a proclama
A Mãe do Belo Amor, Mãe da Alegria!
“Filhinho meu”, diz Ela, em voz tão terna,
“Eu sou a Mãe que acolhe e que governa,
Porto de paz no chão da tua gente.”
No Tepeyac, em flor, a Luz que guia,
Surge na tilma a imagem que vigia
Da nossa América todo o continente.
"O Maltrapilho"
Barros Alves
No humilde manto azul todo estrelado
Surge a Virgem da Luz, suave e pura.
A Rosa agreste, em divinal ternura,
Faz-se jardim por Ela iluminado.
Na colina sagrada, ajoelhado,
Juan Diego, semblante de candura,
A dor imensa do seu povo atura,
Povo sofrido e vilipendiado.
Mas, eis que ouve a vera voz da Amada,
Da Virgem Mãe de Deus, Imaculada,
Viva Esperança que consola o filho.
Ó Mãe que escuta o dolente clamor!
Dá-nos a fé e aquele imenso Amor
Que deste a Juan Diego, o Maltrapilho.
OBS: Tepeyac é nome do monte, que atualmente pertence ao território da Cidade do México, onde, segundo a tradição, Nossa Senhora de Guadalupe apareceu ao índio Juan Diego, em 12 de dezembro de 1531. São Pio X declarou N. S. de Guadalupe Padroeira da América Latina em 1910. O índio Juan Diego foi elevado à glória dos altares em 31 de julho de 2002 pelo Papa São João Paulo II, durante cerimônia celebrada na Basílica de N. S. de Guadalupe, na Cidade do México.