segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

"Soneto para guardar a memória do Rei Davi" - Por Barros Alves

                                                                                   


Davi, o ungido em quem Deus investe
E ao som da harpa do humilde pastor
No menor de Jessé, jovem cantor,
Viu toda a força da  beleza agreste.

Deu-lhe Deus a ousadia, o gesto forte,
E viu fidelidade, fé e ardor.
Deus viu um coração ao Seu dispor
Capaz de defendê-lo até à morte.

Caiu ferido pelo vil  pecado,
Manchou-se em culpa, castigou-lhe a dor.
Mas soube erguer-se, dócil e humilhado.

Cantor dos Salmos, algoz dos filisteus.
Davi dos Céus foi um predestinado,
Homem segundo o coração de Deus!


Davi, o extraordinário cantor dos Salmos, é conhecido popularmente como o jovem pastor que derrotou Golias, o  gigante filisteu, consoante a narrativa bíblica. Poucos sabem que o nome de  Davi consta do hagiológio católico romano. A memória de SÃO DAVI é lembrada no dia 16 de dezembro no calendário litúrgico da Igreja Católica.

Com efeito, Davi foi um predestinado. Deus o  escolheu para ser Rei de Israel (séc. X a.C.), enquanto apascentava as ovelhas, apesar de ser o menor dos filhos de Jessé. Deus não olha a aparência, mas o coração do homem. Guerreiro, profeta e poeta, foi um grande pecador. Porém, reconheceu seus erros e pediu perdão. Jesus nasceu da sua estirpe.  



"Em louvor de Santa Cristiana da Geórgia" - Por Barros Alves

                                                                                 


Num tempo hostil do Império em desatino,

Ergueste a fé qual lâmpada acesa,

Virgem no corpo e na alma fortaleza,

Que fez do amor a Cristo o seu destino.


Não te venceu o duro  aço e ferino,

Nem a prisão ou a sombra da impureza;

Em Cristo achaste a mais pura clareza,

A Luz do mundo escuro e peregrino.


Ó mártir pura, flor da Igreja antiga,

Teu sangue escrito em página sagrada

Fez do martírio a mais bela cantiga.


Rogai por nós, ó bem-aventurada,

Para que a fé, quando o temor nos siga,

Permaneça fiel, jamais negada!

domingo, 14 de dezembro de 2025

"Soneto místico para honrar São João da Cruz" - Por Barros Alves

                                                                             

Na noite escura a alma, em sede ardente,
Busca o Amado e assim  silenciosa
Nada possui, na solidão, silente...
Pois só no Nada a Luz se faz ditosa.

Por ásperos caminhos, mansamente,
Vai-se despindo a carne desejosa.
Morre o querer e nasce, incandescente,
O fogo puro em união gloriosa.

Ó verbo em dor, cantado no deserto!
Tua poesia é Cruz, é Claridade,
Sombra que guia ao Céu sempre mais perto.

Místico amor, de humana eternidade,
Ensina-nos que o Tudo está encoberto
No seio nu da  Obscuridade.


sábado, 13 de dezembro de 2025

"Em louvor de Santa Luzia" - Barros Alves

                                                                              

Na aurora antiga da fé que não vacila,
Luzia ergue o olhar, puro e constante,
Que guarda em si a chama fulgurante,
Onde a divina Luz mais rejubila.

Entre a história e a lenda o Amor cintila!
Sua fidelidade, firme e ardente,
Vence o tormento, o açoite, a dor pungente
E afirma a forte fé terna e tranqüila.

Diz a crença ancestral, a doce herança,
Que seus olhos, na oferta do martírio,
Tornaram-se luzeiros de esperança.

Luzia, Lúcia, Luz em sacrifício,
Protege nossa vista e a confiança,
E nos defende de todo malefício.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

"Sonetos para honrar Nossa Senhora de Guadalupe"

                                                                                 

Para o amigo e confrade hagiólogo José Luís Lira

"No Tepeyac"

Barros Alves

No Tepeyac, a luz do céu descia,
E o índio Diego a tanger a  lhama
Viu descendo do céu a Eterna Dama,
Mãe que consola a dor,  traz calmaria.

Seu manto, aurora azul que reluzia,
A ternura no olhar o amor inflama,
E o índio, humilde, em êxtase a proclama
A Mãe do Belo Amor, Mãe da Alegria!

“Filhinho meu”, diz Ela, em voz tão terna,
“Eu sou a Mãe que acolhe e que governa,
Porto de paz no chão da tua gente.”

No Tepeyac, em flor, a Luz que guia,
Surge na tilma a imagem que vigia
Da nossa América todo o continente.
 
 
"O Maltrapilho"

Barros Alves

No humilde manto azul todo  estrelado
Surge a Virgem da Luz, suave e pura.
A Rosa agreste, em divinal ternura,
Faz-se jardim por Ela iluminado.

Na colina sagrada, ajoelhado,
Juan Diego, semblante de candura,
A dor imensa do seu povo atura,
Povo sofrido e vilipendiado.

Mas, eis que ouve a vera voz da Amada,
Da Virgem Mãe de Deus, Imaculada,
Viva Esperança que consola o filho.

Ó Mãe que escuta o dolente clamor!
Dá-nos a fé e aquele  imenso Amor
Que deste a Juan Diego, o Maltrapilho.
 
 
OBS: Tepeyac é nome do monte, que atualmente pertence ao território da Cidade do México, onde, segundo a tradição, Nossa Senhora de Guadalupe apareceu ao índio Juan Diego, em 12 de dezembro de 1531. São Pio X declarou N. S. de Guadalupe Padroeira da América Latina em 1910. O índio Juan Diego foi elevado à glória dos altares em 31 de julho de 2002 pelo Papa São João Paulo II, durante cerimônia celebrada na Basílica de N. S. de Guadalupe, na Cidade do México.


 


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

"Maria Imaculada, Aurora da Salvação" - Por Barros Alves

                                                                               

 
I
Ó Virgem santa, luz da redenção,
Que sobre as sombras ergues teu clarão,
Em ti cintila a graça mais sincera;
Desde o princípio foste a primavera
Que o Céu guardou com santa devoção.
Teu ser é lírio em pura elevação,
Olhar de paz que nunca desespera
E a humanidade toda a regenera.
Aurora imensa de eterna compaixão,
Mãe escolhida para a Encarnação.
 
II
Ó doce Esposa do divino Amor,
Em ti não vibra mágoa nem torpor,
Pois desde o seio foste iluminada.
Cheia de graça, rosa imaculada,
Em quem descansa o Altíssimo Senhor.
Do Céu colheste o etéreo resplendor
Que ao mundo oferta a aurora desejada.
E a tua voz, tão meiga e moderada,
Ecoa firme em pura obediência,
Selando o “fiat” da divina Essência.
 
III
Humilde Serva em santa retidão,
Que ao mensageiro abriste o coração
Sem hesitar na escolha soberana,
Tua doçura, alvíssima e humana
Firmou no mundo a luz da Salvação.
E o Filho Eterno, na concepção,
Tomou em ti morada não profana,
No teu silêncio a graça se engalana,
E o Verbo, eterno e pleno de ternura,
Veio encarnar-se na tua alma pura.
 
IV
Ó Mãe bendita, estrela da manhã,
Que à fé conduz na senda mais cristã.
Em ti começa o brilho redentor,
Pois Cristo nasce envolto em teu amor,
Que ao mundo entrega a paz que nunca engana.
Toda a bondade do teu ser emana,
E luz que vence a morte e o temor.
E quem te invoca com total teu fervor
Encontra abrigo em tua proteção,
Aurora excelsa da humana redenção!
 
V
Ó Mãe Imaculada, Mãe de Deus,
Igual ao Cristo somos filhos Teus,
Rogamos tua santa intercessão
Junto ao Teu Filho, pela salvação
De toda a humanidade pecadora,
Porque és, sim, a Mãe Co-redentora.
Maria Imaculada, a Escolhida,
Ó santa sem pecado concebida!
Rogai por mim, um pobre pecador,
Ó Mãe querida, Mãe do Belo Amor!