domingo, 14 de dezembro de 2025

"Soneto místico para honrar São João da Cruz" - Por Barros Alves

                                                                             

Na noite escura a alma, em sede ardente,
Busca o Amado e assim  silenciosa
Nada possui, na solidão, silente...
Pois só no Nada a Luz se faz ditosa.

Por ásperos caminhos, mansamente,
Vai-se despindo a carne desejosa.
Morre o querer e nasce, incandescente,
O fogo puro em união gloriosa.

Ó verbo em dor, cantado no deserto!
Tua poesia é Cruz, é Claridade,
Sombra que guia ao Céu sempre mais perto.

Místico amor, de humana eternidade,
Ensina-nos que o Tudo está encoberto
No seio nu da  Obscuridade.


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