Na noite escura a alma, em sede ardente,
Busca o Amado e assim silenciosa
Nada possui, na solidão, silente...
Pois só no Nada a Luz se faz ditosa.
Por ásperos caminhos, mansamente,
Vai-se despindo a carne desejosa.
Morre o querer e nasce, incandescente,
O fogo puro em união gloriosa.
Ó verbo em dor, cantado no deserto!
Tua poesia é Cruz, é Claridade,
Sombra que guia ao Céu sempre mais perto.
Místico amor, de humana eternidade,
Ensina-nos que o Tudo está encoberto
No seio nu da Obscuridade.


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