terça-feira, 9 de março de 2010

A cigarra e o poeta

Zelito Magalhães

Eu te bendigo, ó cigarra
Que leva a vida a cantar
Para tudo alegrar
Espantar os dissabores.
Entendo bem tuas queixas
O teu cântico sem par
Que nunca pode parar
Por força das tuas dores.

Enquanto eu vibro a viola
Fazendo o meu improviso
Tão triste, tão indeciso
Sem n’outra coisa pensar
Tu cantas lá pelas serras
Tão ingênua, tão calma...
Eu canto com a voz da alma
Sorrindo p’ra não chorar.

Ó minha cigarra amiga
Companheira de desdita
Quando te vejo aflita
Amargando a solidão
Também sozinho no mundo
Eu choro a minha tristeza
Que sai com tanta pureza
De dentro do coração.

Nosso canto é parecido
Tu cantas para alegrar
Eu canto p’ra não chorar
As mágoas dentro do peito.
Juntemo-nos, pois, companheira
Eu – poeta, tu - cigarra
Vamos fazer uma farra
Cantando num tom perfeito

Em suave orquestração
Cantemos numa só voz
Transformando o eco atroz
O choro de dor profundo
Cantemos a sinfonia
O antar do despertar
Pra todo o mundo alegrar
Tornando feliz o mundo!

Do livro “Canções de um Menestrel” (2ª. edição) a sair

Um comentário:

  1. Ilmo. e Prezado Poeta,
    Foi com imenso pesar que percebemos o seu lapso de memória quanto ao dia 08 de março de 2010... tanto que elogia todas nós mulheres...! O que houve? Sentimos um certo vazio ao verificarmos uma lacuna em seu maravilhoso blog... Deve ter tido uma considerarável razão para que isso tenha ocorrido. Perdoamo-lo todas nós.

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