quinta-feira, 8 de maio de 2014

MAIS AREIA NESTA COMIDA PODRE


O jornalista Cláudio Humberto publicou sob o título "Negócio na África de banqueiro amigo vai à CPI" na suja cozinha dos governos lulo-comuno-petistas.

"Será alvo da CPI a venda amiga dos poços de petróleo da Petrobras na África para o BTG, banco de André Esteves, quando ainda era “amigo de infância” do ex-presidente Lula e de Antônio Palocci, em 2012. A oposição quer saber como ativos na Nigéria, Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia, avaliados em US$ 7 bilhões por Jorge Zelada, ex-diretor da área internacional, foram dados ao BTG por US$ 1,5 bilhão.
O valor dos ativos da Petrobras na África foram reestimados depois da posse de Graça Foster na presidência da estatal, em 2012. Avaliados em US$ 7 bilhões, os poços africanos caíram para US$ 4,5 bi, US$ 3,16 bi, até o BTG levar o negócio pela bagatela de US$1,5 bi.Com a CPI, a oposição quer entender como em menos de 1 ano o BTG obteve retorno de US$ 150 milhões na África, a título de dividendos".

quarta-feira, 26 de março de 2014

PADRE NERI FEITOSA, UM MILITANTE DA FÉ

Barros Alves*

Escrever livros é um ato de coragem e de ousadia. Notadamente nestes tempos aziagos em que o TER se sobrepuja ao SER e, sobretudo, ao SABER. E quando o que escrevemos incursiona pelos caminhos do outro, todo cuidado é pouco, porque a tarefa se torna cada vez mais dispendiosa e cheia de nuances a serem cuidadosamente pensadas e repensadas. Digo isto a propósito da iniciativa tomada a termo pelo pesquisador José Sávio Sampaio Edwiges, que intenta, por agora, dar à lume escorço biográfico sobre um dos mais lídimos advogados da Transcendentalidade, com papel passado pela Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana desde os idos de 1950.

É o Padre Neri Feitosa, autêntico militante da fé católica, o objeto da escritura de Sávio Sampaio, autor deste A VIDA PASTORAL E AS MEMÓRIAS DE PADRE NERI FEITOSA. Trata-se de uma singela homenagem a um homem vocacionado pela Graça para fazer do sacerdócio um exercício de profecia. Com efeito, é correto afirmar que o autor identificou no prelado sertanejo, as qualidades inerentes a um profeta de Deus, isto é, aquele que tem de cumprir muitas vezes uma missão caminhando entre espinhos e arrostando todos os obstáculos que se lhes interponham na caminhada, com os olhos postos no Infinito. Pregando a paz, sim, como o Cristo, mas levando a espada para decepar o mal e o pecado, a fim de que os pecadores não sucumbam indefesos nas garras do Tinhoso.


Em boa hora Sávio Sampaio inicia um trabalho que deve ser alargado, porque a personagem tem história para alentada biografia. Padre Neri, profeta da esperança, da libertação e da justiça, traz no DNA a coragem de dizer. Nunca teve papas na língua e, repito à saciedade, escudado na força poderosa e invencível do Evangelho de Jesus Cristo não teme os poderosos. Nem os de fora, nem os de dentro da organização eclesial. Seu compromisso inalienável é com a Verdade do Cristo. Aos que o contradizem, principalmente se amigos, é do seu feitio o pensamento aristotélico e, assemelhando-se ao sábio grego, pode dizer sem temor e sem tremor: - Sou amigo dos homens, mas sou mais amigo da Verdade.

Sobraçando o dever de assegurar lugar para a Verdade evangélica desvestida de outras adjetivações ou nuances histórico-eclesiológicas, o Padre Neri tomou a si uma tarefa hercúlea em face de decisões passadas
da hierarquia católica no Ceará. Ele é o grande defensor do Padre Cícero Romão Batista, o profeta do povo sertanejo, que incompreendido, injustiçado, foi duramente maltratado a seu tempo, justamente por
aqueles que deveriam assomar como paladinos da Caridade cristã. As maldades contra contra o Padre Cícero chegaram em alguns momentos ao vilipêndio ao longo dos últimos cem anos. Ele sofreu as maiores agressões por parte de altos dignitários da própria Igreja, os quais, paradoxalmente, deram munição a posicionamentos de figuras interessadas na destruição do próprio rebanho do Cristo. Mas, “Meu Padim Ciço”, apesar de tudo, é o santo do povo nordestino e foi escolhido o “Cearense do Século” em disputa com figurões da Política e da Economia em nosso Estado.

Padre Neri, ao contrário de muitos “sábios e entendidos”, compreendeu de logo a importância do Taumaturgo do Nordeste como um obediente servidor da Igreja que soube comportar-se com dignidade
eclesiástica não obstante as muitas perseguições de que foialvo. Mais do que isto, como poucos Padre Neri compreendeu a atuação política de Cícero como parte da ação pastoral que lhe coube por vocação e
determinação que vem do Alto. Padre Cícero foi profeta completo. Soube governar, soube admoestar, soube rezar, soube conduzir as levas de homens rudes dos adustos sertões nordestinos aos pés da Mãe de
Deus das Dores. E Padre Neri é um dos poucos que sabe compreender essa mensagem e se sente responsável por defendê-la ao tempo em que defende o seu protagonista-mor.

Há de se louvar, portanto, o gesto de Sávio Sampaio ao publicar este trabalho que leva ao leitor, ainda que parcialmente, aspectos da vida do Padre Neri, profeta da sertanidade, um homem intimorato e bom, que
abdicou das grandezas humanas para dedicar-se ao serviço do Rei Maior, Mestre da Justiça e Salvador da Humanidade.

*Pertence à Sociedade Cearense de Geografia e História e à Academia Cearense de Hagiologia.

AUDÍFAX ESCREVE E PINTA O SETE



Barros Alves*

O Ceará é como manancial de divina fertilidade quando se trata de criaturas literárias. Entre a longa lista de literatos da melhor estirpe inscreve-se um nome cuja completude artística revela, paradoxalmente, a nossa proverbial e bíblica inapetência para o reconhecimento dos nossos maiores no campo da Literatura. Às vezes, aliás, somos até pródigos em incensar mediocridades, desde que eles flanem com desenvoltura, de par com alguma atividade literária, ao redor do poder político ou do poder econômico. Há alguns entre nós, inclusive, que leem com desembaraço e vigor apenas o livro-caixa, mas não lhes faltam encômios nas páginas dos nossos diários como se os rabiscos que escrevem fossem obras-primas.
                A personagem de quem me ocupo neste espaço, ao contrário, apesar de todos os méritos intelectuais, esconde-se na simplicidade franciscana que caracteriza os separados das grandiosidades ocas; simplicidade própria, no entanto, daqueles que olham as veleidades do poder com desdém e se arrimam tão-somente nas luzes do espírito para arrostar os obstáculos do cotidiano. Detestando essas futilidades, a nossa personagem não é um misantropo. Bem ao contrário, ele pensa, age, milita e, sobretudo, escreve. E sua escritura já constitui por si uma admirável militância intelectual. Como eu disse, completo, o nosso esteta pinta. Inclusive o sete. Com traço impecável que reflete os anseios e lutas, as angústias e obstinações da gente nordestina.
                Audífax Rios, observador da cena contemporânea que o cerca, tendo sempre um olho aqui e outro alhures, é um ardoroso apóstolo na pregação da cultura sertaneja, o que exercita por intermédio de uma criação ficcional que exprime na poesia, na prosa e no traço, a essência
das reflexões vigilantes que notabilizam sua existência como criador de arte. Isto implica afirmar que Audífax é um nome subestimado entre nós, porque ele concorre de maneira plena para colocar o Ceará no rol dos caminhos por onde necessariamente passa o que há de melhor na Literatura brasileira.
                Por agora, louvo a iniciativa editorial da publicação “Dragão do Mar e seu tempo”, salvo engano uma segunda edição aumentada, de bela feição gráfica, com o selo da Editora Conhecimento, em que Audífax Rios exalta a figura do valente jangadeiro Chico da Matilde, cognominado “Dragão do Mar” em razão do destemor com que impôs cobro aos comerciantes de cativo, não mais permitindo que a leva de escravos desembarcassem nesta terra de liberdade. O livro relembra como um venerável memorial o centenário de morte do herói abolicionista cearense, cantado em prosa e verso ao longo desses cem anos. De par com o escorço biográfico do Dragão, o leitor vai apreciar os escaninhos de episódios da história da abolição no Ceará, bem como o perfil de várias personalidades abolicionistas.
                Por final, devo dizer que se a personagem deste livro é deveras grandiosa, nem de longe a obra é aquela que expressa a grandeza do autor. O ficcionista Audífax Rios tem escritura forte, densa, transbordante, que enleva e leva o leitor a profundas reflexões sobre a sociedade, o mundo e o tempo em que vivemos.

• Pertence à Academia Cearense de Retórica e à Sociedade Cearense  de Geografia e História.

Júlio César Filho fala sobre suspeitas de fraudes em Maracanaú


 

Em pronunciamento no segundo expediente da sessão de quinta-feira (20/03), o deputado Júlio César Filho (PTN) comentou sobre as investigações de suspeitas de fraudes na administração do ex-prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa.

O parlamentar leu algumas manchetes de jornais que informam que o atual vice-prefeito, acusado de chefiar fraudes, está foragido. Em outra manchete, lida pelo deputado, é divulgado que o atual secretário de saúde, Ciro Gomes, advertiu que havia uma “quadrilha atuando e roubando em Maracanaú”.

Júlio César Filho ressaltou que as acusações são relacionadas à gestão anterior, do prefeito Roberto Pessoa, e sugeriu ao atual prefeito, Firmo Camurça, que todos os acusados sejam destituídos de seus cargos e que sejam suspensos os pagamentos para as empresas que estão sendo investigadas.

De acordo com o deputado, uma das empresas envolvidas, R. Schuch Construções Ltda, pertence ao irmão do vice-prefeito. Ainda segundo Júlio César Filho, o irmão do vice-prefeito se divorciou de sua esposa para que ela assumisse a propriedade da empresa, facilitando assim a entrada em licitações.

Júlio César informou ainda que a única fonte de renda da empresa eram os contratos com a prefeitura e que, em menos de um ano, conseguiu contratos no valor de R$ 21 milhões com a administração municipal de Maracanaú, demonstrando que a empresa foi criada com o intuito de desviar os recursos.

Em aparte, a deputada Fernanda Pessoa (PR) rebateu as acusações, informando que, desde o dia 18 de março, foi suspenso o pagamento para as empresas que estão sob investigação. A parlamentar informou também que foram realizadas oito mil licitações, e apena duas ou três estão sendo investigadas. Fernanda Pessoa questionou também como o atual secretário de saúde, Ciro Gomes, tinha acesso a essas denúncias e perguntou se foi a Kroll que passou essas informações para Ciro Gomes. Em 2013, o deputado federal Eudes Xavier (PT) acusou o secretário de estar espionando políticos e denunciou que a empresa americana Kroll teria sido contratada para investigar o ex-prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa.

O principal acusado, Carlos Bandeira, vice-prefeito e secretário de Infraestrutura de Maracanaú, já se entregou à Polícia.

quarta-feira, 12 de março de 2014

DECLARAÇÃO DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DAS FILIPINAS SOBRE A MAÇONARIA



Apesar das muitas e repetidas sentenças de condenação da Maçonaria lançadas pela Santa Sé, parece que ainda há dúvidas se Católicos podem ou não se filiar à Maçonaria. Frequentemente se alega que várias sociedades maçônicas aqui nas Filipinas são organizações não sectárias às quais Católicos podem aderir sem nenhum prejuízo à Fé Católica. Isto é falso e Nós queremos reafirmar nos mais fortes e solenes termos a regra emitida pela Santa Sé, a qual decreta que qualquer Católico que conscientemente e deliberadamente adere à Maçonaria automaticamente incorre em excomunhão e não pode receber os Sacramentos da Igreja e nem ser enterrado em cemitério Católico.
Uma pequena reflexão é suficiente para mostrar a justiça e a racionalidade dessa proibição, não obstante todas as alegações em contrário. A Maçonaria é hoje aquilo que ela sempre foi. Uma seita naturalista que ignora ou nega muitas das verdades contidas nas Sagradas Escrituras e definidas pela Igreja Católica como necessárias para a Salvação. Por exemplo, a doutrina oficial da Maçonaria nega, explicitamente ou por implicação, que Jesus Cristo é o Filho de Deus no sentido exato. De acordo com o ensinamento maçônico, Cristo não passou de um simples homem, certamente um homem sábio, todavia apenas um homem; portanto se Ele é chamado "Filho de Deus", isso só pode ser tomado no sentido figurativo ou metafórico. Conseqüentemente, aderir à doutrina oficial da Maçonaria através da adesão como membro dessa organização, em efeito significa negar ou duvidar de pelo menos uma das verdades essenciais da Fé Católica.
É verdade que os Maçons acreditam numa espécie de divindade suprema à qual eles chamam "o Arquiteto do Universo"; mas essa divindade descrita nos livros oficiais da Maçonaria está muito longe de ser o Deus Todo Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, uma só natureza em três pessoas divinas, O qual os Católicos reconhecem e adoram. De fato, o termo "Arquiteto do Universo" tem sido interpretado pelos maçons de vários modos, alguns dos quais nem podemos chamar de cristão. Além do mais, essa relatividade no que toca à natureza de Deus e nosso relacionamento com Ele, é por si só um grande perigo para a religião já que isso funciona como uma poderosa indução ao indiferentismo religioso, o qual por sua vez conduz ao ceticismo e por fim ao ateísmo.
Mas não é apenas no terreno doutrinal que a Maçonaria é inaceitável para Católicos. As condições de filiação a essa sociedade e suas práticas bem conhecidas, estão em direta violação não apenas da moralidade cristã como também da Lei Natural.
Todos os maçons, por exemplo, são obrigados a fazer um juramento solene comprometendo-se a manter segredo absoluto do que quer que seja ensinado a respeito de sua doutrina e deveres, sob a pena de sofrerem severas punições às quais incluem até mesmo a morte. Existem muitas objeções a tal juramento. Em primeiro lugar; é claramente errado jurar manter segredo de algo que não deveria ser mantido em segredo. Em segundo, as graves conseqüências de se violar tal juramento, as quais incluem tortura, mutilação das mãos de outros membros da fraternidade, quer sejam seriamente consideradas ou não, invocando a suprema majestade de Deus como testemunha de um procedimento trivial e ridículo, no mínimo faz parte da natureza do sacrilégio. Mas consideremos então que tais ameaças sejam levadas a sério, nesse caso é atribuído à sociedade maçônica o poder da pena capital, o qual Deus outorgou apenas ao Estado e sob severíssimas limitações. Finalmente, a absoluta e irrestrita lealdade a uma organização privada e secreta, prometida através de juramento é diretamente contrária à Lei Natural, a qual prescreve que nossa adesão a qualquer sociedade privada é necessariamente limitada pela nossa obrigação primária a Deus, à Igreja, à sociedade civil e à família.
Apesar da propagada profissão de neutralidade e até mesmo de amizade da Maçonaria por todas as religiões, é um fato histórico confirmado por incontáveis exemplos, de que a Maçonaria sempre foi e continua sendo consistentemente hostil à Igreja Católica e também contra muitas denominações cristãs não-Católicas. Em vários casos, sacerdotes sofreram ameaças por ouvirem confissões e reconciliarem maçons em seus leitos de morte. A Maçonaria consistentemente advoga e ativamente promove a exclusão do Catolicismo de qualquer posição de influência, por mais legítima que seja, em qualquer campo da vida social. Tão amarga e incansável é essa hostilidade da Maçonaria pela Igreja Católica, que um proeminente maçom filipino foi efusivamente aplaudido por seus colegas maçons quando ele publicamente declarou que o maior inimigo do povo filipino não é o Comunismo ateu mas sim a Igreja Católica Romana.

Em resumo: Católicos estão proibidos de se associar à Fraternidade Maçônica. Católicos que conscientemente e deliberadamente se tornam maçons estão automaticamente excomungados; eles não podem receber os Sacramentos da Igreja; eles não podem ser convidados para serem padrinhos em cerimônias de Batismo e Confirmação e nem tampouco como testemunhas em Matrimônios Católicos onde tal participação se constituiria um grave escândalo e finalmente, maçons não podem ser enterrados em cemitérios Católicos. 
Assinado por toda a hierarquia da Igreja Católica nas Filipinas  (Fonte: Site Agnus Dei)
    + JULIO ROSALES, D.D. Arcebispo de Cebu
    + JAMES T. G. HAYES, (sj) Arcebispo de Gagayan
    + JOSE MA. CUENCO, Arcebispo de Jaro
    + CESAR MA. GUERRERO, Bispo de San Fernando
    + MANUEL M. MASCARINAS, Bispo de Tagbilaran
    + MARIANO MADRIAGA, Bispo de Lingayen
    + JUAN SISON, Bispo Auxiliar de Nueva Segovia
    + ALEJANDRO OLALIA, Bispo de Tuguegarao
    + MANUEL YAP, Bispo de Bacolod
    + PEREGRIN DE LA FUENTE, (op) Prelazia de Batanes-Babuyanes
    + LINO GONZAGA, Bispo de Palo
    + FLAVIANO ARIOLA, Bispo de Legaspi
    + PATRICK SHANLEY, (odc) Prelatura de Infanta
    + MONSENHOR PATRICK CRONIN, Administrador Apostólico de Ozamiz
    + REV. CHARLES VAN DEN OUWELANT, Administrador Apostólico de Surigao
    + SANTIAGO SANCHO, Arcebispo de Nueva Segovia
    + PEDRO P. SANTOS, Arcebispo de Nueva Caceres
    + RUFINO J. SANTOS, Arcebispo de Manilla
    + LUIS DEL ROSARIO, Bispo de Zamboanga
    + MIGUEL ACEBEDO, Bispo de Calbayog
    + ALFREDO OBVIAR, Administrador Apostólico de Lucena
    + WILLIAM BRASSEUR, (cicm) Vigário Apostólico de Montanosa
    + VICENTE REYES, Bispo Auxiliar de Manilla
    + GERARD MONGEAU, Administrador Apostólico de Sulu
    + WILLIAM DUSCHAK, Vigário Apostólico de Calapan
    + ANTONIO FRONDOSA, Bispo de Capiz
    + TEOPISTO ALBERTO, Bispo de Sorsogan
    + MONSENHOR CLOVIS THIBAULT, Administrador Apostólico de Davao
    + GREGORIO ESPIGA, (orsa) Prefeito Apostólico de Palawan

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Papa faz pesquisa de opinião sobre doutrina católica e irrita parte da Igreja

A iniciativa deixou muitas pessoas felizes e algumas preocupadas. A decisão do papa Francisco de submeter a todos os fiéis um questionário sobre os pontos mais espinhosos da doutrina católica em matéria de moral familiar e sexual empolgou muitos fiéis, felizes porque pela primeira vez a Igreja lhes pediu sua opinião. Mas ela irritou alguns prelados, como certo bispo francês que ralhou: "Não se reforma a Igreja através de pesquisas de opinião". No final, ela também poderá decepcionar algumas pessoas, caso as respostas do Vaticano não estejam à altura das expectativas levantadas pelo questionário.
A reportagem é publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo portal Uol, 21-0-2014.

Na quinta e sexta-feira (20 e 21), 185 dos 218 cardeais da Igreja se reunirão em Roma, em preparação para o sínodo sobre a família convocado pelo papa para o mês de outubro. Eles terão à disposição uma primeira síntese das respostas recolhidas em todo o mundo sobre esses temas, muitas vezes fontes de tensão entre a Igreja Católica e as sociedades modernas. Entre elas consta a síntese francesa, que os bispos da França não pretendiam publicar.

Dependendo da diocese, o questionário suscitou de dezenas a centenas de contribuições. Longo (38 perguntas) e com termos complexos – a noção de "lei natural" que opõe a Igreja a possíveis evoluções doutrinárias é amplamente incompreendida – , ele foi trabalhado sobretudo por grupos de fiéis já constituídos em torno dessas questões.

Uma enquete junto a várias dioceses levou à conclusão de duas constatações principais: a incompreensão, ou até a rejeição, domina diante das regras em vigor na Igreja sobre a moral sexual; e surge uma demanda global para que a instituição seja "mais aberta, mais tolerante, mais respeitosa" em relação às pessoas que, segundo os termos romanos, estejam "em situação irregular", como os divorciados (casados novamente ou não), os homossexuais, as pessoas que vivem em concubinato, os não-praticantes ou os não-crentes que pedem o casamento ou o batismo para seus filhos.
Como já era esperado, é em matéria de moral sexual que os fiéis estão menos de acordo com a Igreja. Os fiéis foram interrogados sobre o Humanae vitae, o texto oficial que estipula desde 1968 a proibição da "contracepção artificial", e confirmou-se que eles "não o levam em conta", afirma Thérèse Loison, que realizou a síntese de aproximadamente 200 respostas para a diocese de Poitiers. "Eles acreditam que a Igreja não deve impor uma única proposição, mas que o casal deve decidir sobre a melhor forma de contracepção", diz Elisabeth Benichou, encarregada de redigir a contribuição da diocese de Annecy. "Sabemos que a Igreja não reescreve seus textos antigos, mas bastaria uma palavra do papa para dizer que, nessas questões, a instituição confia nos casais."

"Na França, se a prática não corresponde à lei, muda-se a lei. A Igreja age de outra forma," confirmou no "La Croix" de 31 de janeiro Dom Pierre-Marie Carré, arcebispo de Montpellier encarregado da síntese nacional. "Ela leva em consideração a lei e a situação do casal e sua possibilidade de cumprir um itinerário".

Segundo Dom Eric de Moulins-Beaufort, bispo auxiliar de Paris e autor da síntese parisiense, a maior parte das respostas mostram que "a doutrina é um ideal que cada um adota do jeito que pode ou quer. É o caso sobretudo do Humanae vitae. Alguns fiéis o consideram uma indicação estimulante; é preciso conseguir explicá-lo melhor, para que cada um se aproprie dele do seu jeito, mas não me parece urgente reformá-lo", afirma o bispo.

De fato, nada indica que o papa queira atualizar esse texto. No questionário, aliás, fala-se em "aprofundamento" e "promoção da natalidade", ponto de vista adotado por Dom Dominique Rey, bispo de Toulon, que defende "uma melhor formação dos jovens no plano ético e antropológico, uma formação sobre o amor e sexualidade."

Claramente identificadas como movimentos progressistas dentro da Igreja, as Réseaux du Parvis [rede de associações cristãs francesas] se mostram bem mais críticas: a Humanae vitae é um "profundo erro de consequências devastadoras que a cúpula católica não deveria mais assumir, ele não é compreendido, muito poucos se adequam a ele e poucos padres e bispos ousam apresentá-lo", explica um texto que resume as contribuições de seus membros. Da mesma forma, a Conferência dos Batizados, que reúne na França alguns milhares de pessoas e afirma ter recebido 400 contribuições, pede para que a Igreja "pare no limiar do leito conjugal" e "deixe de lado seu papel de fiscal e tabelião do sexo [...]. O povo de Deus está em desacordo completo com o magistério sobre essas questões, e há cinquenta anos ele vem o rejeitando, ignorando ou abandonando."

Em compensação, todos ou quase todos concordam que a Igreja deve ter mais compreensão em relação às novas situações familiares ou conjugais. "As pessoas estão pedindo para serem ouvidas, mais do que uma abordagem jurídica, pois cada situação é diferente", diz Benichou, aparentemente alinhada com o discurso oficial do papa Francisco. "Nota-se o desejo de que a Igreja não repita simplesmente as regras, mas sim defenda um discurso mais positivo, que ela acompanhe as pessoas em dificuldades e não as trate como pestilentas", confirma Dom de Moulins-Beaufort.

Essa forma de abordagem, caso a caso, poderia não agradar a todos. "É verdade que deve ser dada uma atenção para cada um, independentemente de sua situação, mas sem que isso coloque em xeque os fundamentos de nossa fé comum", alerta Dom Rey.

O exemplo dos divorciados que voltam a se casar é emblemático desse delicado equilíbrio. Como voltar atrás na regra que proíbe esses crentes de comunhão e de um novo casamento religioso sem prejudicar a indissolubilidade do casamento, regra intangível da Igreja católica? "Existe uma forte demanda para que a lei mude para os divorciados", afirma Benichou, "pois a situação atual resulta em situações inaceitáveis."
Já os progressistas rejeitam por antecipação uma das soluções defendidas por Roma, que quer ampliar os "pedidos de anulação" para os primeiros casamentos. Outros ainda enfatizam a necessidade de uma melhor "preparação para o casamento", para levar os casais a aprofundarem o sentido de seu compromisso na esperança de diminuir o número de divórcios. Na França, o índice de divórcios nos meios praticantes é quase idêntico ao dos outros casais.

O lugar dos homossexuais e de seus filhos pode suscitar polêmica. Dom de Moulins-Beaufort explica as propostas de seus fiéis para o acolhimento dos homossexuais, "por muito tempo estigmatizados": "Alguns deles acreditam que é preciso acolhê-los como casais, outros, que é preciso convidá-los a viverem uma amizade casta". Em Annecy, mostrou-se a vontade de "integrar plenamente os homossexuais às atividades da Igreja para derrubar o constrangimento e os preconceitos."

Toda a arte do papa residirá então em sua maneira de dizer as coisas sem mexer nos textos e na doutrina. Isso porque, para além do uso inédito desse método participativo sobre temas que muitas vezes são tabus, a iniciativa também visa trazer soluções para que fiéis mais bem formados entendam melhor os ensinamentos da Igreja e atenham-se mais a eles.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

OS PETISTAS E A APOLOGIA DO CRIME

Barros Alves

A qualquer que tenha um mínimo de bom senso no que diz respeito ao compromisso de zelar pela “res publica”, causa espécie o que vem ocorrendo no pós processo em que o Supremo Tribunal Federal entendeu serem criminosos quase todos os que se envolveram no rumoroso escândalo no Mensalão. Os condenados ainda posam para a sociedade como se absolvidos estivessem, como se nada devessem ao povo brasileiro. E o pior: ainda mantêm poderes dentro das instâncias partidárias que dão sustentação às suas ideias criminosas. Com efeito, essa quadrilha formada no seio de um partido com aspirações ao poder total do Estado, recebe o aval da maior liderança política da (pseudo)esquerda brasileira, o senhor Luís Inácio Lula da Silva.
Esses líderes partidários que deveriam dar o melhor exemplo à sociedade em termos de ética, especialmente à juventude; ao contrário, dão péssimo exemplo de comportamento político ao defenderem publicamente o crime e os criminosos. Sabem muito bem eles que poderão ser incursos no Código Penal Brasileiro, cujo artigo 287 tipifica também como crime a apologia do crime e do criminoso. Eis a definição do artigo citado: “fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime”. A pena é detenção de três a seis meses, ou multa. O bem jurídico protegido é a paz pública, a segurança e a tranqüilidade das pessoas da comunidade. Sujeito ativo é qualquer pessoa que realiza a conduta típica. Sujeito passivo é o Estado, a coletividade.
Consoante leciona o professor Ney Moura Teles, a apologia é o elogio, o louvor, o enaltecimento de alguma coisa, fato, acontecimento ou pessoa. Fazer apologia é elogiar, enaltecer, louvar ou transmitir por meio da manifestação concreta do pensamento referência positiva de um determinado fato ou de uma pessoa. Pode ser realizada através da palavra oral ou escrita ou ainda por meio de gestos, símbolos ou outras inequívocas manifestações do pensamento, como a criação de obras de arte, especialmente a pintura. A conduta é típica quando o agente elogia um fato criminoso ou enaltece o autor de um crime enquanto tal. Vê-se, portanto, que o gesto do punho fechado e braço estendido feito pelo deputado André Vargas é apologético do ato criminoso, posto que uma imitação daquele feito por dois dos criminosos que estão recolhidos ao presídio da Papuda. E, no caso em tela, ficou configurada evidente agressão ao Ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal.