quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

"Um Natal sertanejo em três sonetos" - Por Barros Alves

1.

No ermo da vila a noite se derrama,

E um bom presságio de esperança cresce.

Na igrejinha, o presépio resplandece,

E o Advento divino se proclama.

 

O povo reza. Em cada rosto inflama

A fé antiga que jamais fenece;

E ante o Deus-Menino a alma em prece

Entoa suaves cantos. Cristo aclama!

 

Soa o sino. É anúncio de esperança!

Todo o sertão renasce na lembrança

Do Rei que nasce humilde, em singeleza.

 

O Menino ergue o olhar doce e profundo,

Ilumina de imenso amor o mundo

E invade o coração da Natureza.

 

2.

Na humilde gleba o vento traz canções

Do céu no brilho de bilhões de estrelas

E a humanidade extasiada ao vê-las

Vê retratadas celestes dimensões.

 

Cantos angelicais como orações 

São flores para os anjos recolhê-las...

Hosana nas Alturas! Merecê-las

É benção sobre muitas gerações.

 

Dos Céus nos chegam sensações mais puras

E o povo ajoelhado ante a Lapinha

Adora o pequenino e a Mãe Rainha.

 

Eis nosso Salvador, o Deus-criança 

Que traz à humanidade a esperança.

Aleluias! Hosana nas Alturas!!!

 

3.

No adro da capela brilha a lua 

Prateando a torre da igrejinha

Onde o povo diante da Lapinha

Faz que a fé mais forte e firme flua.

 

Por toda noite a reza continua,

Missa do Galo, cantos, ladainha...

Bendito seja aquele que caminha

E sob o olhar do Deus-menino atua.

 

Enquanto a gente humilde salmodia

Contrita, ajoelhada em oração 

Ante o Santo Maior do santoral

 

O Deus-menino na caminha espia

E abençoa o povo do sertão 

Naquela noite santa de Natal.

 

 

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